Ana Lenrose

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harolrock

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hĂĄ 10d

"E te amo e te amo e te amo como o bicho feroz ama, a morder, a fĂȘmea, como o mar ao penhasco em que se atira insano, e onde a bramir se aplaca e a que retorna sempre"... Do transcendente aos meandros da secularidade mais Ăłbvia, das coisas excelsas Ă s ordinariedades do dia, do infinito ao tempo exatamente presente, da unidade de tudo que existe Ă s pequenas, parciais e sutis imperfeiçÔes nos sustentam, nĂŁo hĂĄ nada em que nĂłs nĂŁo nos encontremos, nĂŁo hĂĄ cenĂĄrio ou hipĂłtese em que nĂŁo caibamos perfeitamente nessa intersecção precisa entre os nossos mundos. Seja nas perversĂ”es de Bataille, nos devaneios vertiginosos de Kerouac ou na profundidade analĂ­tica de DostoiĂ©vski, sempre haverĂĄ mais um verso ou frase que nos defina. Na atemporalidade quase sacra das notas clĂĄssicas ou na sujeira deliberada e catĂĄrtica das guitarras amplificadas, a nossa mĂșsica persiste: the song (still) remains the same. NĂłs somos o ponto exato em que as viradas precisas do Bonham encontram a fĂșria e a paixĂŁo de um solo do Jimmy Page.

Ana Lenrose
Pensando em vc enquanto tomo um chĂĄ e começo a assistir ao filme que vc lembrou, gosto dessa forma como vc me leva para dentro das coisas que te atingem. E essa intersecção entre nĂłs, que estĂĄ nas conversas que passam por Bataille (quem escreveu a HistĂłria do Olho se assombraria? Ah sim..), DostoiĂ©vski (os russos! os russos!) etc etc etc e acabam em alguma gracinha bem sacada, pois o profundo e o cotidiano sĂŁo o mesmo territĂłrio. “Because I’m still in love with you on this harvest moon”, como diz Neil... nĂŁo algo frĂĄgil, uma força que volta, insiste. É, vc e eu temos mesmo um pouco de Bonham e Page, especialmente naquilo em que a gente se encontra đŸ”„đŸ’‹ hĂĄ 9d