Ana Lenrose

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harolrock

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"Mirrors on the ceiling, the pink champagne on ice, and she said: we're all just prisoners here of our own device". É um prazer inenarrável estar com você nessa prisão de ilusões perfeitas, nesse sonho moldado por cálidos, persistentes e inconfessáveis desejos que jamais se submeterão à ofuscante luz do dia. Nada nos alcança. Somos fluidos, interdimensionais, algo como o senso comum, como um imperativo categórico ou até mesmo um instinto. Somos o que acontece nos quartos enquanto a vida passa pelas janelas. Sonhos, desejos ou madrugadas - somos o suor dos corpos e as línguas que se entrelaçam, o calor envolvente do sexo e o peso de cada palavra dita. A perfeita certeza é tão breve quanto o encantamento. Somos partes de um todo que se conjuga no olhar, no cheiro, nas palavras que fluem e na saudade que, enfim, se torna parte da vida. Simplesmente somos, eu e você, a resposta definitiva para tudo que falta quando não estamos juntos. Um drink às portas do paraíso e o mais puro veneno antimonotonia.

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Meu êxtase anti-entrópico perfeito, energia necessária ao movimento, impulso que interrompe a inércia e quebra definitiva da homeostase. Meu solstício particular despontando em pleno estado equinocial, renovando as eras, povoando a mente de sonhos e trazendo luz ao que parecia já acostumado às trevas. Nada poderia nos afastar mais da extinção termodinâmica do que um encontro tão inesperado. Até mesmo os astros - com seus efeitos tão incidentais - sucumbem ao magnetismo imperioso das nossas vontades, tornam-se meros coadjuvantes na divina comédia dos nossos desejos, ardores e reencontros. Nada me afasta mais do caos inevitável do que a sua presença ordenadora e eternamente rediviva em seu próprio encanto. A um só tempo, a mais errante das viagens e a estrela que me guia, impávida e cintilante, no céu noturno. É sempre indescritível o prazer de me perder irremediavelmente - e deliberadamente - em você.

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"E te amo e te amo e te amo como o bicho feroz ama, a morder, a fêmea, como o mar ao penhasco em que se atira insano, e onde a bramir se aplaca e a que retorna sempre"... Do transcendente aos meandros da secularidade mais óbvia, das coisas excelsas às ordinariedades do dia, do infinito ao tempo exatamente presente, da unidade de tudo que existe às pequenas, parciais e sutis imperfeições nos sustentam, não há nada em que nós não nos encontremos, não há cenário ou hipótese em que não caibamos perfeitamente nessa intersecção precisa entre os nossos mundos. Seja nas perversões de Bataille, nos devaneios vertiginosos de Kerouac ou na profundidade analítica de Dostoiévski, sempre haverá mais um verso ou frase que nos defina. Na atemporalidade quase sacra das notas clássicas ou na sujeira deliberada e catártica das guitarras amplificadas, a nossa música persiste: the song (still) remains the same. Nós somos o ponto exato em que as viradas precisas do Bonham encontram a fúria e a paixão de um solo do Jimmy Page.

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