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Amunet
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Te pedi um pouco de sal e você me entrou pimenta. -Não Não, eu quero sal, eu disse. Só falta um pouco de sal pra ficar perfeito! Então você me entregou uma colher, depois um copo, depois um prato, pão cortado, alface, e todas as coisas possíveis e inimagináveis que se encontra dentro de uma cozinha. Você colocou de frente pra mim, me olhou como se tivesse uma interrogação em seu rosto e me disse: - O que mais você quer, eu já não te dei tudo?
Era verdade, me deu de tudo menos o que eu pedi, logo pensei e voltei a perguntar pelo sal. Me trouxe um bolo. Voltei a perguntar pelo sal, me trouxe um avental, eu voltei a perguntar.. Até que a palavra SAL passou aparecer enorme, um fardo, desagradável, IMPOSSÍVEL!
E então eu escolhi provar a comida e disse que estava boa, mesmo sentindo que faltava algo e mesmo vendo que o saleiro estava em suas mãos.

Na minha oração, você era o centro,
meu predicado favorito.
Onde éramos mais que pronomes,
eu, você e nós.
Mal percebia que o amor poderia ser apenas um objeto,
direto, claro e sem rodeios.
Eu, no singular, sonhando em plural,
transformei-me em um sujeito oculto...
Faltou a concordância, e não era nominal.
Fui julgado, conjugado de forma errada,
perdi-me no tempo, tornei-me passado,
mais que imperfeito, sem os verbos que precisei.
E no futuro do pretérito,
havia um indicativo,
um dilema que não se mostrava simples,
talvez composto.
E ao encarar aquele caos que não se explica,
na última lição de casa,
o verbo amar resolveu me ensinar
a arte de esquecer.

O silêncio das palavras não ditas é mais alto do que uma bomba. Para ser honesta, nunca ouvi o som de uma bomba, mas já me calei com muita palavra engasgada. Sei o barulho que isso causa, mesmo que internamente. Teve um tempo em que achei que tudo merecia ser dito. Depois, entendi que precisava escolher minhas batalhas, pois toda fala precede uma provável resposta, e claro, nem sempre estamos dispostos a ouvir as respostas. Às vezes, escolhemos o silêncio porque precisamos, mesmo que a vontade seja vomitar uma sequência de palavras, opiniões, sentimentos e até coisas indizíveis. Outras vezes, é o silêncio que nos escolhe, mesmo sabendo que uma infinidade de pensamentos, opiniões, sentimentos e até coisas indizíveis está nas entrelinhas, apontadas bem na nossa direção. Tem silêncio que acolhe, tem silêncio que é ensurdecedor e o meu preferido é o silêncio que por si só faz mais barulho do que tudo descrito, porque no fim esse tipo de silêncio faz mais estrago do que o grito alheio e o desespero pra que eu expresse alguma emoção.

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