Há quem aponte o dedo
porque teme olhar para dentro.
É mais simples vestir a armadura do julgamento
do que encarar as próprias rachaduras em silêncio.
Chamam de frieza
quem apenas está cansado de sangrar escondido.
Chamam de desinteresse
quem passou tempo demais tentando ser suficiente
para pessoas que nunca souberam enxergar além da superfície.
Nem toda distância é desprezo.
Às vezes é sobrevivência.
Às vezes é alguém tentando juntar os pedaços
sem fazer barulho para não incomodar ninguém.
O mundo se acostumou a interpretar silêncios
como arrogância,
quando muitos deles
são apenas pedidos de socorro
ditos em outra língua.
Julgar exige pouco.
Basta a pressa,
basta a ausência de empatia.
Mas compreender…
compreender exige coragem.
Porque, no fundo,
quem vive atacando os outros
quase sempre está fugindo
das guerras que trava dentro de si.
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