ManoelBandeira
há 11dSol Ari existe— e já vale a pena respirar. Respiramos juntos, como se o tempo tivesse pulmões, e o seu, delicado, conduzisse o ritmo do mundo. Há um gesto de menina no dedo que toca a boca, um olhar que quase prende — mas não prende. Antes, convida. E eu fico. Cativo não por força, mas por escolha — dessas que a gente faz em silêncio. Então me deixo ir, como quem desce sem pressa por um caminho conhecido: dos teus seios ao teu ventre, numa rosa de ventos que o acaso desenhou pra mim. E agradeço — não a você, nem a mim, mas à encruzilhada improvável que fez desse instante um lugar onde eu quis me perder.