Há algo de profundamente magnético no som da chuva batendo contra o vidro. É um convite ao desabrigo, um sussurro constante que parece pedir para que as defesas sejam deixadas de lado, assim como as roupas que pesam sobre a pele.
O ar fica denso, carregado de uma eletricidade mansa que arrepia sem precisar de toque. O mundo lá fora se torna um borrão cinzento e distante, enquanto aqui dentro o tempo parece parar. A umidade que sobe do asfalto quente se mistura ao calor do corpo, criando uma atmosfera onde cada respiração se torna mais profunda, mais consciente.
É no ritmo pausado das gotas que o desejo encontra seu compasso. O frio que vem de fora é apenas o pretexto perfeito para buscar o calor do outro, para sentir a textura da pele sob as pontas dos dedos e o contraste entre o frescor da tempestade e a febre de um abraço.
A chuva não apenas cai; ela envolve. Ela limpa o que é superficial e deixa apenas o essencial: o som da água, o cheiro de terra molhada e a vontade indomável de se perder em alguém enquanto o céu desaba.
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