Ele estava na minha casa. Tinha sido algo simples: farmácia, conversa curta, e eu chamei ele pra entrar. A gente sabia que o tempo era curto. Ele perguntou, quase rindo: — Que horas sua irmã chega? Olhei o celu|ar. Onze. O relógio marcava dez e quarenta. Ainda dava tempo. E a gente sabia exatamente pra quê. O beijo veio antes do pensamento. Não era impulso, era decisão. Eu ia ficar alguns dias sem ver ele. E eu não queria que ficasse nada pendente entre a gente. Quando o telef0ne tocou, ele ainda não tinha gozado. Era minha irmã. Atendi rápido, pedi pra ela esperar. Voltei pra ele com o corpo já tenso de urgência. Falei baixo, séria, quase como um pedido: — Goza… eu quero que você goze antes de ir. Não era pressa. Era despedida do jeito que a gente sabe fazer. O telef0ne tocou de novo. Fui pra frente da casa, respirei fundo, atendi normal. Conversa comum. Rotina fingida. Por dentro, eu ainda estava nele. Porque eu não queria passar dias sem ver ele sabendo que tinha ficado algo inacabado. Algumas transas não são sobre tempo. São sobre não deixar faltar. E essa aconteceu minutos antes de todo mundo chegar.
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