Cansei de dizer que não fazia rapidinhas pelos meus motivos, motivos que, no fim das contas, me cansavam mais do que me ajudavam.
Então me adaptei ao fato de que sempre vai existir o apressadinho que entra na minha sala com 99% da punheta já batida, pronto pra gozar e desligar na minha cara sem culpa pela falta de educação. Afinal, educação a gente dá pra seres humanos, né? E muita gente simplesmente não consegue enxergar quem está do outro lado da tela como um.
Mas, voltando: eu faço rapidinhas. Faço, sim.
Só que faço com a animação de um robô sem alma. E faço muito feliz. (Por dentro. Porque, por fora, me recuso a dar um sorriso sequer.)
Essa felicidade vem de saber que esse cara que está me assistindo não está me assistindo de verdade. Jamais estaria. Porque o show que eu realmente faço ele nunca vai conhecer.
Abro a buceta como quem abre um pote. Meu gemido pro senhor Flash é mais falso que nota de três reais. E eu nunca mais me senti mal quando aquela voz feminina avisa que “o chat (simples, privado e, muito raramente, exclusivo, porque gasta mais) acabou”.
Não me sinto mal porque quem perdeu a delícia que eu sou foi ele.
Ele pagou por uma amostra. Pouco, mas pagou. O espetáculo de verdade continua tendo outro preço.