O desejo é um movimento silencioso da alma. Não nasce do tumulto das paixões súbitas, mas de uma ausência sutil que se insinua no espírito como uma pergunta antiga. Há algo profundamente humano em desejar. Pois quem deseja pressente, ainda que em segredo, que o mundo não se esgota naquilo que já possui. O desejo é, assim, uma forma de consciência: a percepção delicada de uma distância invisível entre aquilo que somos e aquilo que, em alguma região mais elevada do ser, intuímos poder vir a ser. Não é apenas o corpo que se inclina quando deseja. É a própria alma que se põe em movimento. E nesse movimento reside uma beleza discreta, quase filosófica — como se cada desejo fosse um lembrete silencioso de que a existência não foi feita para a estagnação, mas para a contínua travessia. Assim, desejar não é apenas querer. É reconhecer o infinito que habita o espírito humano e aceitar, com humilde lucidez, que viver é caminhar perpetuamente entre aquilo que somos e aquilo que ainda nos chama no horizonte.
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cristian420 Que linda