Fera De Veludo

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Mima Renard (falecida em 1692, em São Paulo), foi uma suposta bruxa franco-brasileira, sendo a vítima mais conhecida no Brasil do período da Caça à Bruxas. Mima Renard era uma imigrante francesa, que mudou-se para o Brasil com seu marido, René. O casal foi morar na então vila de São Paulo. Mima era vista como uma mulher bela e atraente, despertando atenção nos homens, fato que fez com que seu marido fosse atacado e assassinado por um de seus pretendentes. Assim, ela passou a prostituir-se para sobreviver.[1] As demais mulheres da vila passaram a acusá-la de jogar feitiço nos homens, com o propósito de atraí-los. Em data desconhecida, um conflito entre dois de seus clientes resultou no assassinato de um deles. Os dois clientes eram casados, o que foi mal visto na época. Mima foi denunciada ao padre da paróquia local, pelas várias mulheres de seus clientes, recebendo acusação de feitiçaria e bruxaria, por supostamente lançar feitiço nos homens. Ela foi julgada, condenada e executada na fogueira em público

O cinema e a literatura já incansavelmente abordaram esse assunto, mas as histórias contadas costumam se referir a casos ocorridos na Europa ou Estados Unidos.

Pouca gente sabe, mas pessoas acusadas de praticarem bruxaria também foram levadas à fogueira aqui no Brasil.

Os casos não são numerosos, porém, a Igreja também fez suas vítimas em terras tupiniquins.

Ao contrário do que muitos acreditam, a Igreja Católica não foi a única a criar instituições que se dedicavam à supressão do que era considerado heresia. Em alguns países protestantes, como a Alemanha, essa prática também existiu.

Como no Brasil era a Igreja Católica quem exercia poder, os casos de acusação de bruxaria foram feitos por meio dela.

Se formos comparar com os moldes do que era considerado bruxaria na Europa, na realidade não existiram bruxas no Brasil, segundo a Igreja. Por lá as mulheres eram caçadas e levadas à fogueira pelo envolvimento com satanismo, sacrifícios ou simples pensamento herético, enquanto por aqui as acusações se baseavam em práticas que se baseavam em um misto de sabedoria popular, utilização de recursos naturais para o tratamento e cura de doenças, adoração de entidades estranhas à Igreja ou o simples fato de se discordar dela.

No Brasil o Tribunal do Santo Ofício nunca foi instaurado, ainda que tenham ocorrido três Visitações do Santo Ofício às terras brasileiras.

Os “Visitadores”, que eram os enviados pelo Tribunal com o intuito de averiguar algum tipo de acusação, estiveram apenas nas capitanias prósperas na época: Grão-Pará, Pernambuco e Bahia.

Como na época São Paulo não era nada além de um pobre aglomerado de algumas dúzias de ruas e vielas ao redor do rio Tamanduateí, a caça às bruxas ficou a cargo do clero local.

Ainda assim algumas mulheres acusadas de bruxaria conheceram a morte na fogueira da “Inquisição paulistana”.

Mima Renard e seu marido René, mudaram-se da França para o Brasil, atrás de oportunidades melhores para viver. O casal instalou-se na então Vila de São Paulo. Pouco sabemos sobre a vida de Mima, apenas que provavelmente, ela foi uma das primeiras mulheres a passar por um julgamento de caça às bruxas, em solo brasileiro.

Mima era de beleza notória; a jovem destacava-se entre as demais mulheres, vindo a despertar certo ciúme da população feminina do local onde passou a viver. Ela chamava atenção de diversos homens locais, em especial, os casados. Pouco tempo após seu espantoso sucesso no local, seu marido foi misteriosamente assassinado. Segundo os autos do período, seu algoz era um homem casado, que apaixonou-se perdidamente pela jovem francesa.

Como dependia de seu marido para viver – assim como a maioria das mulheres na época – Mima viu-se em crescente miséria, sem perspectivas de sustento. Deste modo, ela recorreu ao que muitas mulheres, antes e depois dela, recorrem: a prostituição.
O sucesso entre os homens foi imediato - eles faziam filas para frequentar seu leito. Tal empreitada teria tudo para dar certo, se não fosse por um novo assassinato, que arruinou sua popularidade e perspectiva de sobrevivência. O culpado desta vez, assim como o primeiro, era um homem casado, que acabou por matar um dos clientes de Mima. O ódio feminino da população para com esta mulher - que já era grande -, apenas aumentou ainda mais. Elas então, passaram a acusá-la de praticar feitiçaria para atrair seus maridos, alertando o padre da paróquia local. Mima foi então capturada, presa, acusada de bruxaria e executada na fogueira em público no ano de 1692.

Mima foi apenas uma das muitas mulheres de seu tempo, que recusou-se à aceitar a trágica circunstância em que vivia, correndo atrás de uma vida mais digna para si, algo que claramente, chocava a sociedade conservadora do período. Tal concepção, ajudou a perpetuar a ideia de que mulheres empoderadas ou donas de seus destinos, eram bruxas e dignas do culto de medo impregnado

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