GentlemanSadico
há 18dQuem diria que uma folha pudesse dizer tanto? Que traços imperfeitos carregariam uma mensagem tão necessária? Essas linhas me fizeram lembrar de nuances para as quais, por algum tempo, preferi fechar os olhos, fugindo justamente dos detalhes que um dia me fizeram permanecer. Em segundos, pensei em como alguns caminhos parecem fáceis de seguir, enquanto outros trazem curvas inesperadas, desencontros e temporais. Ainda assim, há paisagens tão belas que fazem cada passo valer a pena. Talvez amar seja isso: respeitar o caminho, compreender suas curvas e reconhecer que até as imperfeições podem se tornar pequenas diante do encanto. Porque, no fim dessa estrada, pode existir um mar de águas esverdeadas, margaridas ao redor e um sorriso tão luminoso que faça todos os caminhos anteriores parecerem apenas preparação para chegar até você.
Certa vez, uma pequena nuvem decidiu que queria conhecer o mar. Parecia uma ideia simples, até perceber que, para chegar até lá, precisaria atravessar cidades inteiras sem saber se o vento continuaria soprando na direção certa. Mesmo assim, partiu. No caminho, passou por montanhas que tentaram segurá-la, por pássaros que atravessaram seu corpo sem pedir licença e por outras nuvens que juravam conhecer atalhos. Depois de um tempo, começou a chover. No início, achou que estava se desfazendo antes de chegar ao destino. Mas foi justamente então que percebeu pequenas coisas acontecendo lá embaixo: pessoas correndo para sentir as gotas, uma janela sendo aberta, uma flor recebendo água depois de dias de sede. E, pela primeira vez, a pequena nuvem pensou que talvez nem tudo precisasse acontecer exatamente como havia imaginado. Quando finalmente encontrou o mar, não soube dizer onde terminava ela e onde ele começava. Nesse momento, deixou o vento passar por dentro dela sem tentar fugir. há 18d