Despir o corpo na natureza não é um gesto de exibição, é um gesto de verdade. Quando a roupa cai, não é a pele que aparece primeiro, é a consciência. O vento toca sem pedir permissão. O sol não distingue status, nome ou história. A terra recebe o peso do corpo nu como recebe raízes: sem julgamento. Nesse estado, não há personagem social, não há defesa estética, não há armadura. Só presença. A nudez, ali, não é vulnerabilidade fraca. É silêncio interno. É o momento em que o corpo deixa de ser objeto e volta a ser território vivo, atravessado por temperatura, cheiro, textura e tempo. Cada poro escuta. Cada músculo lembra que pertence ao mundo, não à norma. Existe algo antigo nisso não no sentido ritual, mas no sentido essencial. Como se o corpo reconhecesse um idioma esquecido. A pele entende o que a mente passou anos tentando controlar: que não há separação real entre o que somos e o que nos sustenta. Na floresta, na pedra, na água, o corpo nu não provoca, ele dissolve fronteiras. Não há sedução, há integração. Não há vergonha, porque a vergonha não sobrevive onde não há plateia interna. É nesse estado que o “eu” diminui e algo mais amplo ocupa espaço. Não um delírio místico, mas uma clareza crua: eu sou matéria consciente, respirando junto com o mundo. Nada a esconder. Nada a provar. Nudismo na natureza não é liberdade performática. É retorno. É lembrar, sem palavras, que antes de qualquer construção social, o corpo já era suficiente.
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