Ela prefere o rio porque ele não é domesticado. A água doce corre sem pedir permissão, muda de humor, sobe, desce, arrasta. É ali que ela se reconhece. Não na paisagem bonita, mas na força bruta que não tenta agradar ninguém. Ela entra na água como quem retorna a um lugar antigo do corpo. O rio toca a pele e desperta algo que não precisa de nome. Não é calma. É excitação silenciosa. É o prazer físico de sentir a corrente pressionando as coxas, o ventre, a lombar. A água doce não seduz, ela envolve, pesa, insiste. Ela bebe do rio com a boca, sem cerimônia. Gosta do gosto terroso, vivo, imperfeito. Não quer filtros. O corpo dela responde a esse contato como um animal que sabe onde matar a sede. Há uma confiança instintiva ali, uma intimidade que não se explica. O rio não a observa. Não a julga. Não a interpreta. Por isso ela se solta. Os músculos relaxam e ao mesmo tempo se mantêm atentos. Ela se move com firmeza, deixando a água marcar o ritmo. Não há delicadeza ensaiada. Há domínio do próprio peso, da própria presença. Ela fica no rio até o corpo cansar. Até a pele enrugar, até o frio virar parte dela. Quando sai, não leva lembrança, leva cheiro, textura, força grudada na carne. O rio não a transforma. Ele apenas ativa o que já estava lá: uma mulher que gosta da natureza não como refúgio, mas como confronto.
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sissysasha Linda de ver!!! 😻😻😻 Pena que é muita areia pro meu caminhãozinho! hehehe ❤️🔥❤️🔥❤️🔥💛💛💛❤️❤️❤️