Sempre me senti estranha como quem nasce fora do mapa fora da caixa como se fosse possível um mundo inteiro dentro dela Por muito tempo acreditei que isso pudesse ser consertado Que o tempo me lixaria as arestas me dobraria em ângulos aceitáveis Mas o tempo passou e eu continuei fora Hoje já não quero caber. Pergunto, em silêncio que caixa é essa? O que é certo, o que é errado? Quem decide onde começa a norma e onde termina o desvio? Sinto demais O tempo todo Às vezes tudo ao mesmo tempo junto, misturado uma avalanche que paralisa E então, paradoxalmente vem a anestesia O corpo aqui a alma deslocada Torta Inapropriada para manuais Aprendi a vestir uma normalidade como quem usa um disfarce apertado Funciona, mas sufoca E cada dia tenho mais vontade de deixá-la cair no chão A música funciona como um bote salva-vidas É a melhor forma que me conecta ao mundo Ela diz o que eu não consigo Traduz o caos em melodia e me devolve ao mundo sem exigir explicações Só ser... Escrever também Escrever é casa É onde meu pensamento veloz finalmente encontra passagem Minha mente corre minha boca tropeça Na escrita eu alcanço Meu trabalho nasce daí da escrita como ponte entre o meu dentro e o fora do outro É ali que me comunico inteira Talvez a graça seja essa não caber Ser diferença Acolher as múltiplas formas de existir no mundo Mesmo quando, em alguns momentos a sensação é não sentir mais nada. #pensamentos
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